VISITA DO PAPA LEÃO XIV

Governo quer Igreja Católica como parceira no progresso económico e social

Governo | 19-04-2026 09:41:38 | Fonte: CIPRA

O Governo quer um envolvimento mais construtivo da igreja católica na condição de parceira social do Estado, para alcançar o progresso e o desenvolvimento económico e social do país.

A intenção foi manifestada pelo Presidente da República, João Lourenço, sábado, 18 de Abril, em Luanda, durante o encontro do Papa Leão XIV com o Corpo Diplomático acreditado em Angola, membros da sociedade civil e representantes religiosos.

Segundo o Chefe de Estado, a atenção aos mais pobres, presente na Exortação Apostólica Dilexi Te, de Sua Santidade, que refere que “Deus tem um lugar especial no seu coração para aqueles que são discriminados e oprimidos” e apela a “escolhas radicais para ajudar os mais fracos”, constitui um princípio com forte ressonância na acção governativa.

Esta visão, acrescentou, serve de guia na acção quotidiana de luta contra as desigualdades, a indiferença e a exclusão social.

João Lourenço afirmou ainda estar convicto de que o Sumo Pontífice poderá constatar a profundidade da fé dos angolanos, bem como as iniciativas do Estado para dignificar locais de culto e peregrinação, destacando a construção da Basílica da Nossa Senhora da Muxima, onde os fiéis católicos poderão exercer a sua devoção em melhores condições.

O Presidente da República reiterou que Angola é um Estado laico, no qual a liberdade religiosa é plenamente garantida, permitindo que cada cidadão escolha livremente a sua confissão.

O Chefe de Estado frisou igualmente a forte expressão do catolicismo no país, reflectida no elevado número de fiéis e na sua expansão pelo território nacional.

Durante o discurso, destacou a diversidade religiosa existente em Angola e a convivência pacífica entre as diferentes confissões, referindo a realização anual de cultos ecuménicos em datas históricas, conduzidos de forma rotativa por líderes religiosos.

O estadista apontou ainda a trajectória do país nas últimas cinco décadas como exemplo de uma nação que privilegia a resolução de conflitos através do diálogo, sublinhando que este princípio constitui um marco da diplomacia angolana e da sua política externa, com impacto em iniciativas de promoção da paz no continente africano.

Sobre a visita do Papa Leão XIV, a terceira de um Sumo Pontífice a Angola, João Lourenço considerou-a um reflexo das relações construtivas entre a República de Angola e a Santa Sé, que se têm fortalecido ao longo das décadas e que reforçam o papel social da Igreja Católica.

O Presidente recordou ainda o primeiro contacto oficial entre a Santa Sé e a região, no século XVII, com a missão diplomática de António Manuel Nsako Ne Vunda a Roma, sublinhando a profundidade histórica dessas relações.

As relações diplomáticas entre Angola e a Santa Sé foram posteriormente formalizadas e reforçadas com a assinatura do Acordo-Quadro de 13 de Setembro de 2019, que definiu os parâmetros jurídicos da cooperação entre as duas partes.

João Lourenço destacou também que, mesmo em períodos mais difíceis da história do país, o diálogo entre o Estado e a Igreja Católica se manteve activo, incluindo o intercâmbio de delegações ao mais alto nível, com visitas de Chefes de Estado angolanos ao Vaticano em várias ocasiões.

O Presidente sublinhou que esta cooperação tem contribuído para a formulação de políticas sociais em sectores como Saúde, Educação, Água, Energia, Habitação, Emprego e combate à pobreza, reconhecendo que se trata de uma missão complexa que exige tempo e recursos para a melhoria contínua das condições de vida dos angolanos.

“Esta é uma missão em que estamos profundamente empenhados e com a noção plena de que se trata de um desafio complexo e difícil, que requer tempo e recursos que não são tão abundantes quanto desejaríamos, para melhorarmos os índices de qualidade de vida dos angolanos”, referiu.

PRESIDENTE JOÃO LOURENÇO APELA À PAZ MUNDIAL

O Presidente da República, João Lourenço, defendeu que o mundo deve ser entendido como um espaço de coexistência entre pessoas e nações de culturas e religiões diferentes e com a firme convicção de que, apesar desta diversidade, todos podem e devem conviver pacificamente.

O Chefe de Estado alertou para o que considerou ser uma “corrida desenfreada às matérias-primas, aos recursos energéticos, minerais e outros”, frequentemente tomados pela força das armas dos exércitos mais poderosos do mundo contra países soberanos.

João Lourenço defendeu que o acesso aos recursos deve ser assegurado através de contratos e acordos internacionais, respeitando normas estabelecidas, e não pela via da guerra.

“O comércio internacional tem regras bem estabelecidas que, uma vez cumpridas, as empresas e os Estados, através de contratos e de acordos, podem ter acesso aos recursos que precisam para a satisfação das suas necessidades, sem que tenham de recorrer à guerra”, observou.

O Presidente manifestou igualmente preocupação com o actual contexto internacional, marcado pela proliferação de conflitos em vários continentes, destacando em particular a situação no Médio Oriente, região que descreveu como berço de grandes religiões e civilizações.

“Devia ser uma zona de paz, de concórdia e de fraternidade”, afirmou, lamentando o sofrimento dos povos da Palestina, do Líbano e de países do Golfo Pérsico, afectados por guerras que, segundo disse, região produtora e exportadora de petróleo e gás para uma boa parte do mundo e com economias prósperas e em franco e acelerado crescimento, a ruir como consequência das guerras que lhes impuseram.

“Apelamos ao fim definitivo da guerra, à abertura do Estreito de Ormuz pela via negocial e ao estabelecimento de uma paz duradoura na região”.

Face à probabilidade de agravamento do conflito, João Lourenço dirigiu um apelo ao Papa Leão XIV para que, “do alto da sua autoridade moral, continue a desempenhar um papel de construtor de pontes, de apaziguamento dos espíritos, de resgate dos valores humanistas, de busca da concórdia e do entendimento entre os homens”.

O Chefe de Estado angolano defendeu ainda ser urgente que todos os estadistas influentes e figuras públicas com reconhecida autoridade moral actuem conjuntamente para assegurar que, nas relações internacionais, a justiça e o diálogo prevaleçam sobre o uso da força.

Fonte: CIPRA

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